Por Renata Leal

Há alguns dias, eu estava conversando com um casal de amigos que trabalham como assessores de investimentos em uma grande corretora. Comentei com eles sobre a dificuldade que tenho de encontrar outras mulheres investidoras para conversar sobre dinheiro, investimentos, fundos… E eles me contaram que têm, em média – vejam só! – 90% de clientes homens e apenas 10% de mulheres. E que boa parte das contas das mulheres ainda são patrimônios familiares. Em geral, casais que se casaram com comunhão de bens abrem uma conta para cada um, com metade do valor em cada uma.

Mas a boa notícia é que esse cenário está mudando. Segundo um estudo do Boston Consulting Group, entre 2010 e 2015 a fortuna das mulheres cresceu de US$ 34 trilhões para US$ 51 trilhões. E até o ano que vem esse valor deve alcançar US$ 72 trilhões – o que ainda representa 32% do total global de fortunas, mas é sim um avanço. O mesmo estudo também mostra que as mulheres devem herdar 70% da fortuna global nas próximas duas gerações. Essa expectativa vem de dois pontos principais: a expectativa de vida das mulheres é maior que a dos homens e atualmente a distribuição das heranças costuma ser igual entre filhos e filhas – o que é o mínimo razoável de se esperar, diga-se.

Por isso, o cenário dos investimentos deve passar por mudanças em um horizonte de curto e médio prazo. Mulheres e homens alocam seu patrimônio de forma diferente, com objetivos e expectativas de retorno diversas. As mulheres são mais impactadas por atividades filantrópicas do que os homens, por exemplo. Elas também educam financeiramente os filhos de forma diferente. Veremos, necessariamente, uma adaptação – ou será uma recriação? – da indústria de investimentos e gestão de fortunas logo logo. No Brasil, é provável que esse processo demore um pouco mais, mas não muito. Uma geração de mulheres mais bem remuneradas está no mercado, atenta à necessidade de pensar no longo prazo e investir para a aposentadoria e uma vida melhor.

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