Da Redação

Não é segredo que as mulheres ganham salários mais baixos. Não só no Brasil, mas no mundo. As propostas que elas recebem são, em média, 30% menores em relação às dos homens. Mesmo considerando carreira de sucesso e experiência ampla. Um cenário enviesado que a empresa de recrutamento Contratado provou que começa ainda nos processos de seleção com o relatório Gênero e Recrutamento: Um panorama sobre a desigualdade de gênero e caminhos para transformá-lo.

A Contratado, que fechou parceria com Mulheres Ágeis para divulgação de dados exclusivos, é uma plataforma de recrutamento especializada em profissionais de alto potencial de tecnologia e negócios. As áreas de atuação incluem marketing, business intelligence, data science, design UX/UI, desenvolvimento, comercial e gestão. “De todos os cadastros recebidos, apenas 5% são aprovados. Utilizamos uma base de dados de 19.562 candidatos e mais de 8 mil ofertas feitas por empresas”, diz Karina Piva, head de operações da Contratado. “É um pessoal altamente qualificado.”

Nesse seu primeiro estudo sobre desigualdade no recrutamento, as disparidades aparecem logo nas candidaturas para diferentes carreiras. Apesar de 57,1% das pessoas com curso superior no Brasil serem mulheres, elas representam apenas 23% dos cadastros da empresa.

Há uma variação de acordo com a carreira de escolha dos candidatos. Na carreira de desenvolvedor, as mulheres representam apenas 7%. Por outro lado, em marketing a representatividade feminina é de 45%. Outras carreiras apresentam valores intermediários: 21% em Business Intelligence, 22% em Negócios e 31% em Design.

Esses dados mostram consistência com o mercado. Segundo a Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD), de 2009, apenas 20% das 520 mil pessoas que trabalhavam com Tecnologia da Informação no Brasil eram mulheres. O estudo também aponta que cerca de 79% delas desistem do curso no primeiro ano e cerca de 41% abandonam a área no início da carreira (contra 17% dos homens).

“Durante a elaboração do relatório, verificamos que a taxa de aprovação na nossa seleção, no entanto, não diverge muito entre homens e mulheres. Após as fases de análise de currículo e testes técnicos, vemos a aprovação de 12,40% das desenvolvedoras cadastradas, enquanto a média masculina é de 16,49%”, diz Karina. “Em marketing a diferença é ainda menor, com 6,52% de mulheres contra 6,54% dos homens. Tanto business intelligence, quanto negócios e design apresentam diferenças iguais ou menores a 2% entre os gêneros de aprovados.”

A Contratado acredita que essa taxa de aprovação proporcional é resultado dos esforços da empresa para preparar testes e formular análises livres de viés. “Temos o objetivo de garantir que, independentemente do gênero, estamos selecionando os melhores profissionais do mercado. Uma vez aprovados por nós, os candidatos ficam disponíveis on-line para as empresas”, afirma Karina.

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