Suzane G. Frutuoso

Se o feminismo foi a grande revolução do século 20 – apesar de muitos desafios ainda no horizonte – o fim da masculinidade tóxica e hegemônica pode ser a revolução social mais importante do século 21. Quem garante é a cientista social Carla Cristina Garcia, professora da PUC-SP, pesquisadora nas áreas de Sociologia de Gênero e Estudos Feministas, além de coordenadora do Innana, Núcleo de Pesquisa sobre Sexualidades, Feminismos, Gênero e Diferenças (NIP-PUC-SP).

Carla está à frente de dois cursos de extensão da PUC, um deles começando neste sábado, 3 de março (ainda dá tempo de se inscrever). Masculinidades Contemporâneas (https://goo.gl/9RZWhH) discute o padrão masculino segundo construções sócio-culturais, quando impera a masculinidade tóxica, nociva para os próprios homens, além das mulheres. No corpo docente do curso, que vai até 24 de março, sempre aos sábados, estão também os professores Fabio Mariano da Silva, que entre outros assuntos pesquisa Gênero e Direito, e Marcelo Hailer Sanchez, jornalista e doutor em Ciências Sociais.

“A masculinidade é o outro lado fundamental da discussão de gênero”, diz Carla, que conversou com Mulheres Ágeis no primeiro dia de volta às aulas na PUC. “Não se nasce homem. Torna-se homem. Portanto, é preciso debater a construção dessa masculinidade que mata mulheres, mata os homens, mata no trânsito, na guerra, na criminalidade…” Para Marcelo, nos últimos 20 anos houve avanços no debate sobre o que é ser homem na sociedade atual e ocidental. “Mas ficava muito mais restrito ao universo LGBT. Não se falava tanto da masculinidade tradicional”, afirma.

Entre os temas a serem refletidos estão os impactos produzidos pelas mudanças nas relações de gênero tanto no espaço público quanto no privado, as novas paternidades, o amor entre os homens, a nova ênfase na estética do corpo masculino e estratégias para a construção de novas masculinidades mais livres, ricas e plurais.

Já em Fronteiras do Feminismo: poscolonialismo, teorias e práticas latino-americanas (https://goo.gl/pjVqy7), de 7 de abril e 5 de maio, Carla traz para a sala de aula autoras e teorias feministas da América Latina, suas influências nos movimentos sociais de mulheres e formula uma crítica à tradição e à herança feminista eurocêntrica. “Os desafios feministas no século 21 são de dimensões globais, o que pede o reconhecimento das diversidades culturais das mulheres”, diz. “Muitas tradições feministas, como a latina e a africana, não estão suficientemente representadas ainda.”

A professora ressalta quanto o Brasil esquece que é latino, buscando referências na Europa e nos Estados Unidos – e isso também ocorre na construção do pensamento sobre gênero. Carla não gosta, por exemplo, do termo “empoderamento” quando se fala do feminino. “Vem de empowerment, um termo americano ligado ao mundo dos negócios.” E lembra que não podemos nos esquecer das responsabilidades sociais do Estado, que é preciso pressionar governos, quando se fala de direitos femininos.

Livros que Carla recomenda:

Breve história do feminismo, de Carla Cristina Garcia

O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: gêneros, corpos e sexualidades na formação docente, de Carla Cristina Garcia, Daniel Françoli Yago, Marcelo Hailer Sanchez e Fabio Mariano da Silva

História da Virilidade, de Alain Corbain (organizador) – três volumes

Para saber mais:
Núcleo de Pesquisa sobre Sexualidades, Feminismos, Gênero e Diferenças (NIP-PUC-SP): www.inannaeducacao.com

Inscrições para os cursos: www.pucsp.br/pos-graduacao/especializacao-e-mba

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