Por Renata Leal

Na semana passada, comentei aqui que as mulheres no mundo estão ficando mais ricas e vão investir mais. Hoje queria falar um pouco sobre as diferenças entre os investimentos realizados por mulheres e homens, entrando no campo da economia comportamental – que eu adoro!

As diferenças são bem significativas. Há diversos estudos sobre o tema que apontam que os homens estão dispostos a assumir mais riscos que as mulheres. Na prática, isso significa que os homens costumam pular mais de um investimento para o outro, enquanto as mulheres mantêm suas posições por mais tempo. Mas isso não é ruim, ao contrário do que se pode pensar. Esse excesso de confiança dos homens ao trocar mais de investimentos acaba por comprometer a rentabilidade no longo prazo.

Especialistas em finanças comportamentais vêm apontando há anos que uma seleção mais sólida de investimentos rende mais. Carteiras mais moderadas, geralmente carregadas por mulheres, costumam ter até 1% de rendimento anual a mais que as carteiras muito agressivas. Esse número se aplica ao mercado americano e, portanto, espera-se que existam diferenças com o mercado no Brasil, especialmente em um momento de taxa Selic mais baixa por aqui (o que nos obriga a arriscar um pouco mais para conquistar uma rentabilidade razoável).

Outra diferença importante é que os homens costumam ter o foco de seus investimentos na rentabilidade – o que explica a maior frequência de troca de produtos. O comportamento das mulheres é diferente. Ao serem questionadas sobre seus objetivos, elas tendem a relacionar os resultados a sonhos a realizar, como a compra de um imóvel, a faculdade dos filhos ou a aposentadoria. As mulheres também se preocupam mais com propósito e tendem a escolher investimentos de empresas e fundos com preocupação socioambiental, por exemplo. Ou companhias com mais reputação, sem marcas na justiça.

O investimento feminino também considera mais a família como um todo e não apenas o retorno financeiro em si. Uma mulher com mais dinheiro costuma distribuir mais os ganhos com outras pessoas em vez de pensar apenas no próprio enriquecimento. Essa visão mais global das finanças pode levar a um cenário financeiro menos polarizado no futuro.

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