Da Redação

O Brasil ficou em 79º lugar no ranking geral de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial de 2016, sendo em 129º no quesito igualdade salarial – entre 144 países. Apesar da melhora em relação a 2015 (estávamos em 85º), já estivemos mais bem colocados, como no 62º lugar em 2012 e 2013. São dados que o relatório Gênero e Recrutamento: Um panorama sobre a desigualdade de gênero e caminhos para transformá-lo, da empresa de recrutamento Contratado, infelizmente, reforça.

A Contratado, que fechou parceria com Mulheres Ágeis para divulgação de dados exclusivos, é uma plataforma de recrutamento especializada em profissionais de alto potencial de tecnologia e negócios. As áreas de atuação incluem marketing, business intelligence, data science, design UX/UI, desenvolvimento, comercial e gestão. “De todos os cadastros recebidos, apenas 5% são aprovados. Utilizamos uma base de dados de 19.562 candidatos e mais de 8 mil ofertas feitas por empresas”, diz Karina Piva, head de operações da Contratado. “É um pessoal altamente qualificado.”

A questão da desigualdade de gênero nas empresas é relevante. Há evidências de que companhias socialmente mais diversas, especialmente em gênero e raça, lucram mais. Um estudo realizado pela Peterson Institute For International Economics, com mais de 22 mil empregadores de 91 países, constatou que empresas com pelo menos 30% de mulheres em cargos de liderança podem crescer até 15% mais na comparação com outras do mercado.

Já segundo o relatório da Contratado, de forma global, mulheres recebem 14% menos abordagens que homens para possíveis contratações. Nas carreiras de design e negócios o movimento até se mostra diferente das demais: apesar de serem minoria nas áreas, elas são convidadas para mais entrevistas. Mesmo num cenário geral, elas recebem mais convites por pessoa. As desenvolvedoras, por exemplo, recebem em média 3,8 convites cada, enquanto a média masculina é de 3,1 convites.

O resultado corrobora com o cenário global: a disparidade existe e aumenta conforme o tempo de experiência e senioridade. “Nossos dados mostram que empresas oferecem um salário 19% menor para as mulheres juniores que para homens da mesma classificação. O número piora quando olhamos para os profissionais seniores. Nessa categoria, as empresas ofereceram 30% a menos de salário para as mulheres. Na prática, significa que uma profissional sênior ganha, em média, quase a mesma quantia que um profissional da mesma área, porém júnior”, diz Karina Piva, xxx da Contratado.

No Brasil, além de ocuparem cargos mais baixos, as mulheres também recebem menos que os homens mesmo ocupando as mesmas funções. Em 2015, os homens ganharam 24% mais que mulheres (na mesma função). A boa notícia é que a porcentagem está diminuindo gradativamente. Em 2009 a diferença era de 29%. Na contramão, os cargos de chefia, além de serem mais desiguais, estão a cada ano aumentando a disparidade. Em cargos altos, mulheres recebem apenas 68% do salário dos homens. Os dados são do Relatório de Desenvolvimento Humano 2015, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

“Percebemos que além das mulheres receberem ofertas salariais mais baixas, elas apresentam pretensões salariais 19,6% menores que as masculinas. Na média geral de profissões elas têm propostas salariais 31% menores. Em marketing, por exemplo, o número pode chegar aos 37,38%, mesmo que elas tenham expectativas salariais apenas 10% mais baixas”, explica Karina.

Já carreiras como business intelligence apresentam o percentual mais baixo, na casa dos 15% de diferença nas propostas efetivamente recebidas. A expectativa é um medidor importante. Se as mulheres já esperam receber menos, é certo que a realidade não irá surpreender positivamente. E ainda existe um agravante: o efeito dominó. Quando uma profissional troca de emprego, o novo salário é baseado no anterior. Como mulheres estatisticamente recebem menos que homens, seus próximos salários irão colaborar para a desigualdade já existente. Daí a importância da igualdade salarial entre profissionais que exercem a mesma função.

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