Por Renata Leal

Sabe quando a gente fala que as mulheres em geral preferem investimentos mais estáveis e menos arriscados porque preferem resultados mais sólidos que podem ser compartilhados com a família e com quem mais precisar delas? Pois observar dados objetivos de investimentos no Tesouro Direto e na Bolsa de Valores ajuda a ter uma dimensão mais real de como isso acontece aqui no Brasil.

Em maio, a Bolsa de Valores superou a marca de 1 milhão de pessoas físicas cadastradas. O volume de pessoas que investem no Tesouro Direto também está numa base superior a 1 milhão. Como a quantidade de pessoas que investe na Bolsa e no Tesouro ao mesmo tempo é pequena, podemos dizer que temos mais de 2 milhões de investidores no Brasil – o que é um número ainda tímido se pensarmos na população adulta (cerca de 50% dos brasileiros, algo como 110 milhões de pessoas, têm entre 20 e 59 anos).

Pois vamos aos números de Tesouro Direto x Bolsa de Valores:

No Brasil, temos 52% de mulheres e 48% de homens. No Tesouro Direto, 69% dos investidores são homens e 31% são mulheres. Já na Bolsa de Valores essa discrepância é maior: 78% de homens e 22% de mulheres. A razão para isso, apontada por especialistas, está no maior apetite que os homens têm ao risco – ou, dizendo de outra forma, à segurança que as mulheres preferem alcançar com seus investimentos.

O Tesouro Direto – que não custa nada dizer novamente que rende mais que poupança! – tem três tipos principais de títulos à venda: Selic, prefixado e indexado à inflação + taxa. Ao comprar esses papéis e emprestar dinheiro ao governo, as mulheres já sabem o que devem receber quando precisarem sacar o investimento. No caso da Bolsa de Valores, a compra de ações pode render mais, mas carrega consigo um risco maior e uma necessidade de conhecimento também maior, o que acaba afastando as mulheres.

Outro número curioso sobre Tesouro x Bolsa está relacionado ao público jovem, com idade entre 16 e 25 anos. São 193 mil investidores no Tesouro nessa faixa etária, o que representa 18% do total. Já na Bolsa são 85,2 mil, ou 7,5% do total. Os jovens, de forma geral, não teriam mais apetite ao risco, pelo fato de ainda terem muito tempo pela frente? Sim. Mas, ao mesmo tempo, quem dá os primeiros passos na vida financeira também tem menos recursos, tanto porque ainda ganham menos quanto porque ainda acumularam pouco. Com o avanço da idade, os investimentos vão mudando e as pessoas começam a diversificar mais – as mulheres buscando um equilíbrio entre segurança e retorno e os homens com um viés um pouco mais arriscado.

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