Da Redação

Mulheres são mães em potencial. E isso continua não visto com bons olhos por muitas empresas. Apesar da entrada da mulher no mercado de trabalho formal, as chamadas “obrigações domésticas”, que envolvem cuidar da casa e dos filhos, permanecem recaindo sobre ombros femininos. Uma divisão de tarefas real e igualitária ainda não ocorre. É comum a história de que o parceiro “ajuda” em casa, quando na verdade a obrigação é tanto dele quanto dela.

Consequentemente, os empregadores acreditam que suas funcionárias irão pedir mais folgas para cuidar dos filhos e, portanto, produzir menos que seus colegas homens. Também há uma expectativa de que mulheres podem largar suas carreiras a qualquer momento para se dedicarem à vida doméstica. Se não bastassem tantos preconceitos, quando a mulher negocia um aumento tem 30% mais chances de receber feedbacks negativos como “mandona”, “muito agressiva” ou “intimidadora”, de acordo com o levantamento Women In The Workplace, realizado pela organização Leaning em parceria com a consultoria McKinsey.

Esses dados foram levantados pela empresa de recrutamento Contratado e estão disponíveis no relatório Gênero e Recrutamento: Um panorama sobre a desigualdade de gênero e caminhos para transformá-lo. A Contratado, que fechou parceria com Mulheres Ágeis para divulgação de dados exclusivos, é uma plataforma de recrutamento especializada em profissionais de alto potencial de tecnologia e negócios. As áreas de atuação incluem marketing, business intelligence, data science, design UX/UI, desenvolvimento, comercial e gestão.

Outro ponto que chama a atenção no levantamento da Contratado é a dificuldade masculina em identificar os problemas da desigualdade de gênero. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Level Playing Field de 2011, apontou que 82% dos homens em startups acreditam que suas empresas empenham tempo adequado em questões de diversidade. Contra, estão 40% de mulheres que discordam da afirmação.

“Equalizar oportunidades de trabalho e tratamento, tanto para gênero quanto para raça, é também uma forma indireta de aumentar a competição no mercado”, diz Karina Piva, head de operações da Contratado. “Ajudamos candidatas a balizar sua pretensão salarial. Com nosso histórico de mais de 60 mil candidatos e 8 mil ofertas feitas por empresas, conseguimos ajudar mulheres de diferentes idades, carreiras e localidades na luta por igualdade salarial.”

A Contratado está empenhada em colocar mais profissionais mulheres em evidência. Suas candidatas recebem até 15% mais convites para entrevistas do que os homens. Os testes técnicos da empresa são calibrados para não resultarem em taxas de aprovação diferentes para homens e mulheres. E os candidatos não se inscrevem para vagas. As empresas que entram em contato. Situação mais confortável para mulheres. Segundo pesquisas, elas tendem a não se candidatar a vagas nas quais não preenchem 100% dos requisitos.

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