Por Renata Leal

Quando fazemos workshops de finanças para mulheres na Mulheres Ágeis, um dos exercícios que usamos com frequência chama a atenção de muitas participantes. A missão é colocar no papel quais são os sonhos de curto, médio e longo prazo. E, depois disso, ter uma ideia de quanto custa realizar cada um deles.

Pode parecer quase uma brincadeira de criança, mas esse exercício é usado por muitos profissionais em aulas de educação financeira. No fundo, ele nem sempre é fácil de fazer. Muitas pessoas não têm clareza sobre os seus sonhos – até porque boa parte da nossa população vive na linha da pobreza ou abaixo dela, o que torna a relação com o dinheiro uma questão de sobrevivência – e muitas não sabem o preço do que almejam.

O motivo de usarmos esse exercício é simples: é muito mais fácil realizar algo quando você tem informações objetivas sobre o assunto. Nem sempre é fácil precificar um sonho mesmo. Outro dia fui pesquisar sobre um mestrado que me interessa em finanças comportamentais. Descobri que o investimento seria de R$ 105 mil em dois anos. Confesso que não imaginava que custava tanto. Já decidi reavaliar essa possibilidade e buscar alternativas. Essa é uma forma objetiva de lidar com um sonho, entendendo se ele cabe (e como) no orçamento.

Ao precificar um sonho, quanto mais próximo do real o valor está, menos complexo é organizar o orçamento para realizá-lo. Comece pela ordem de grandeza. Você quer comprar algo? Que viajar? Quer guardar dinheiro para a faculdade dos filhos? Quer fazer uma festa de casamento? Quer comprar uma casa? Quer se aposentar? Para tudo temos valores diferentes.

E é mais fácil abrir mão de comprar algo não tão necessário – ou às vezes completamente desnecessário mesmo! – em nome do esforço de realizar o sonho futuro. Um exemplo: você está se preparando para uma viagem. Sabe quando vai fazê-la, quanto custam as passagens, hospedagens, alimentação, seguro-viagem, verba diária para compras, visitas a museus, shows e tudo mais. Se o foco está nesse objetivo, não fica mais simples trocar a pipoca cara do cinema por algo mais simples para conseguir guardar um pouco mais para a viagem? Para mim isso funciona bem – e espero que para você também!

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