Suzane G. Frutuoso

Amalia Sina está em uma fase especial da vida. Acaba de lançar seu nono livro, “Psicopata Corporativo” (Editora Évora). É diretora (uma das poucas mulheres) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando no departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior. É sócia da D’Gart Prime Cosmetics, linha de produtos profissionais para salões de beleza. Ainda resolveu investir todo conhecimento de anos em altos cargos de liderança como coach para ajudar novos profissionais a decidir que carreira desejam construir.

Muito trabalho, como sempre existiu na trajetória de Amalia. Nesse sentido, nada novo. Mas dessa vez impondo um ritmo equilibrado e que permite tempo de qualidade com o marido Horácio, o filho Lucas e o peludo Burrito, seu cachorrinho que andou dando susto na dona. “Ficou internado. Até emagreci de preocupação. Mas agora ele está bem”, dizia ela, no lançamento do livro, em maio, que ocorreu na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo. Com início às 19 horas, a noite de autógrafos formou uma fila na porta da livraria em menos de 30 minutos.

Se hoje continuamos a luta pela presença de mais mulheres em posições de liderança nas empresas, Amalia comprou parte considerável dessa briga, sendo uma das pioneiras e abrindo passagem para todas nós, na década de 90. E o ambiente era ainda mais hostil com a presença de uma mulher, especialmente sob suas ordens. “Quando comecei a dar aula na FGV, as alunas vinham me perguntar como chegar lá. Até que comecei a dizer ‘senta aqui que eu também preciso te contar quanto vai custar'”, lembra ela, que permanece professora da Fundação Getúlio Vargas nos cursos de MBA em marketing e empreendedorismo.

No caso de Amalia, custou uma gravidez de gêmeos interrompida no oitavo mês e, já mãe, a distância do filho pequeno para cumprir prazos e viagens a trabalho. “Sempre gostei de trabalhar, sempre busquei me aperfeiçoar, chegar longe. Mas eram tempos em que ser executiva entre homens exigia por tantas vezes se masculinizar, deixar de lado delicadezas características do feminino.”

Meta
Gerente antes dos 30, diretora antes dos 40, presidente antes dos 50. O objetivo foi traçado por Amalia aos 20 e poucos anos, certa de que era o caminho para o sucesso. Aos 36 anos, tornou-se presidente da Walita. Anos depois, chegou à vice-presidência da Phillips para a América Latina e, mais tarde, à presidência da Philip Morris, entrando para a história como primeira mulher no mundo a se sentar na cadeira de presidente de uma empresa de tabaco.

Em meio a decisões cruciais de empresas globais, ainda se tornou escritora, abordando temas do universo empresarial como marketing, poder e, claro, o papel feminino no mundo profissional. Um de seus livros é “Mulher e o Trabalho” (Editora Saraiva), que faz um retrospecto de vitórias e aborda os desafios que enfrentamos para conciliar tantas tarefas cotidianas.

O truque para equilibrar vida pessoal e carreira, perdoar-se pelo que não saiu bem como gostaria e seguir em frente é a teoria que criou para si mesma, dos 70%. “Sei que não vou ser perfeita como mulher, mãe, profissional, amiga, esposa. Não dá. Simplesmente, é impossível. Muitas coisas não sabemos, temos que delegar e nem vai dar para aprender. Então, resolvi que seria 70% em cada um dos meus papéis. Mas seria o meu melhor dentro dos 70% que me cabem.”

A acirrada competição entre executivos também ensinou Amalia o quanto é fundamental se manter atualizada e um passo à frente. Com excelente capacidade para analisar potencial de mercados, virou empreendedora do ramo de cosméticos ao deixar os dias de executiva de empresas globais, segmento que pouco se abala apesar de crises econômicas. Agora, vem se dedicando aos processos e às mudanças da era digital e se prepara para projetos na área da educação a distância.

De olho no futuro, Amalia olha para trás? “A primeira vez que fui à escola, com 7 anos, minha mãe disse para ir olhando para trás, marcar os pontos da volta, porque ela não poderia me buscar na saída. Na época não entendi e me assustei. Mas foi um aprendizado para a vida toda. Temos que olhar para trás, sim. Marcar os erros e acertos. Não para se arrepender. Para compreender o que descartar, o que manter e quando é necessário algum recuo para recomeçar.”

Para saber mais:
www.amaliasina.com.br

Livros que Amalia recomenda:
Os Primeiros 90 Dias: Estratégias de Sucesso para Novos Líderes, de Michael Atkins
As 48 leis do poder, de Robert Greene
Desperte o Gigante Interior, de Anthony Robbins

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